Conscientização de pais, educadores e adultos responsáveis por crianças. Se eu puder alcançar e ajudar uma pessoa eu sei que me expor valeu a pena.
Eu sempre fui uma pessoa reservada então foi com muita oração e súplica que eu fui à Deus perguntar se eu devia me expor desse jeito. A resposta veio durante a Conferência Geral da minha Igreja, onde o Profeta de Deus e seus Apóstolos nos dão instrução. Desde então, eu ainda titubiei mas, ontem, ao falar com uma amiga que eu amo muito, eu recebí mais uma vez confirmação de que é isto que eu tenho que fazer. Eu nunca gostei de atenção e muito menos de me expor por medo de julgamentos e críticas. Mas dessa vez é diferente. Desta vez eu não tenho mais medo porque a minha causa afoga o meu medo. Meu amor pelos meus amigos me motiva a afastá-lo e abrir a minha boca.
Eu espero, de coração, que você que está lendo, me conhece, conhece minha família, não saia especulando. Eu sei que este post expõe a minha vida e de quem fez parte da minha vida. Mas, para toda ação, há uma consequência.
Quando eu era criança, eu fui sexualmente abusada por uma prima. Não foi uma vez só. Infelizmente, eu não fui a única vítima. Eu era pequena, não sabia o que estava acontecendo. Com o decorrer dos anos eu fui notando que tinha alguma coisa errada com o que havia acontecido.
Carreguei este peso por anos. Mas eu nunca percebi o quanto pesou até eu parar para analizar a minha vida, meus sentimentos e os eventos que se passaram depois disso.
Foi depois de adulta, e até mesmo casada, que o primeiro "tapa" de "acorda!" aconteceu. Foi em uma das minhas aulas de Psicologia na BYU. Estávamos estudando sobre abuso. O professor falou "80% das crianças sexualmente abusadas, foram abusadas por alguém da família (familiares) ou bem próximo da família." Eu lembro me sentir enojada por este número tão alto e sentí pena dessas vítimas. Foi aí que um estalo, que parecia mais como um choque, veio com tudo e me fez completamente consciente de que EU fazia parte desta estatística.
Eu sempre achei que tinha superado isto. Sempre achei que eu já tinha perdoado essa prima. Mas olhando para tráz, eu vejo que meu consciente deve ter achado isso, mas o meu subconciente não porque todos os eventos relacionados à ela provavam o contrário. Eu nunca me dei bem com ela. Eu tentei, mas nunca deu certo e algo sempre explodia no final. Eu nunca confiei nela e sempre achei ela falsa. E agora analizando, eu tenho mais que certeza que é por causa desses eventos da minha infância.
Mas, o que me fez sentir-me quebrada por dentro, foi depois de eu ter meus filhos. Eu lembro um dia olhar para eles e imaginar se isso acontecesse com eles. Eu não consigo nem descrever a dor e fúria que me veio no coração. Como pode uma pessoa encostar em uma criança inocente e abusá-la. Eu queria ir para a polícia e denunciá-la. Ainda mais que aqui em UT estão para passar uma lei que completamente aboli o "statue of limitation" em casos de abuso à criança. Mas, meu bom e amado marido me deu uma benção e me ajudou a me acalmar. Nesse dia, foi quando eu finalmente contei para ele que eu fui abusada quando criança.
Infelizmente, eu carreguei esse fardo por anos. Foi somente nesses últimos mêses que eu consegui abrir a boca e pedir ajuda. Eu tenho um irmão mais velho que eu amo e ele me ajudou e tem me ajudado muito com tudo isso. Meus pais nunca souberam. Nunca contei para eles porque eu tinha medo de levar bronca. Eu nunca tive um relacionamento forte o suficiente com eles para me abrir e falar das minhas dores, tristezas e inseguranças. Eu sempre senti que eu tinha que ser perfeita e, assim sendo, eu não podia expor minhas fraquezas e imperfeições. Então como podia eu falar que fui abusada. Eu tinha vergonha e medo.
Eu conheço tantas pessoas que já passaram por isso. E fora as que eu conheço que devem ter passado mas eu não sei. Estudos mostram que geralmente as pessoas só sentem liberdade e segurança de falar disso quando já são adultas. Quer confirmar? Quantos casos de crianças abusadas que abriram a boca escutamos nas notícias? E quantos casos de adultos falando que foram abusadas quando criança escutamos nas notícias? Pelo menos em Utah, o segundo é o único que eu vejo nas notícias.
Então meus amigos, se há alguma coisa que eu quero que vocês saibam ou aprendam da minha experiência é:
- Não ache que isso nunca vai acontecer com seus filhos e que todos os seus amigos e familiares são santos. Eu fui abusada por uma primA. Do mesmo sexo que eu e, inclusive, da mesma religião. E essa prima cresceu comigo. Meus pais sempre nos levavam para a casa dela e ela sempre vinha na nossa. Até em férias ela ia junto.
- Quem abusa não importa o tamanho, sexo, religião, grau de parentesco... Proteja seus filhos de outras crianças, crianças maiores, adolescentes, adultos independente de sexo. Essa prima é do mesmo sexo que eu, prima de primeiro grau e da mesma religião que eu (nascida na mesma religião).
- Quem abusa não importa o tamanho, sexo, religião, grau de parentesco... Proteja seus filhos de outras crianças, crianças maiores, adolescentes, adultos independente de sexo. Essa prima é do mesmo sexo que eu, prima de primeiro grau e da mesma religião que eu (nascida na mesma religião).
- Conheça os sinais. Vá na internet, se informe. Saiba também o que leva uma pessoa a cometer tal crime para que vocês fiquem alerta às pessoas que estão à sua volta.
- Vigie os seus filhos para que eles não sejam os abusadores. Saiba os sinais para quem abusa também.
- Se os seus filhos estão brincando com outras crianças mais velhas ou adultos, sempre vá checar se está tudo bem de tempo em tempo. Abuso acontece rápido e geralmente em lugares reclusos em que outros adultos não podem ver.
- Ensinem à eles que ninguém toca no corpinho deles. Somente os pais e é somente se há necessidade de ajuda para tomar banho ou ir no banheiro
E os pontos mais importantes para mim:
- Tenha um relacionamento emocional profundo com os seus filhos. Façam com que eles se sintam amados, não importa o que aconteça, o que eles façam ou quem sejam. Para que, se algo assim acontecer, eles venham falar com você assim que eles se tornem consciêntes do que está acontecendo.
- Se, infelizmente, isso acontecer com o seu filho(a), tome providências, IMEDIATAMENTE. Eu não consigo nem expressar a dor e, ao mesmo tempo, revolta, de ver um pai ou mãe que, ao saber que abuso aconteceu, não fez nada para ajudar seu filho. Não importa se a criança sabe ou não ou que aconteceu. Um dia ela vai saber assim como eu sei agora o que aconteceu comigo. Então sente com eles, conversem e expliquem que a culpa não é deles. Mas o mais importante, demonstre amor. Falar que você vai orar por eles não é suficiente. Mostre que você se importa com eles e sempre chequem de tempos em tempos se eles estão bem. Não precisa perguntar diretamente sobre isso toda hora, mas conversem para ter certeza que eles estão bem.
Agora, eu falo para você, que foi vítima de abuso sexual como eu quando criança.
Eu não tenho a fórmula para o esquecimento. Flashes de memória sempre virão. Mas é o que fazemos quando eles veem que faz a diferença. Não rumine nelas. Da mesma maneira que elas vem rapidamente, tente tirá-las do pensamento com a mesma velocidade.
Eu também não tenho a fórmula de como perdoar quem te fez mal. Eu estou tentando achá-la ainda... Eu sei que é preciso, é necessário. Eu não sei se irei conseguir perdoá-la, mas isso não quer dizer que eu não esteja tentando e eu acho que é isso que importa, não desistir. E não se sinta mal se você não consegue incluir esta pessoa de volta na sua vida, mesmo se for família. Isso não quer dizer, de jeito nenhum, que você não a perdoou completamente.
De uma coisa eu sei, se persistimos em sobrepujar qualquer dano feito em nós por causa de abuso, um dia nós vamos conseguir continuar seguindo adiante sem ser afetado por isso. Eu sei disso porque Jesus Cristo sofreu por nós no Getsêmani. A tristeza que me vem ao lembrar, a dor de me sentir quebrada por dentro, os problemas que tive minha vida inteira por causa disso... Tudo isso o Salvador passou para que Ele soubesse como me socorrer e me ajudar. E Ele fez isso por você também.
Um dos Apóstolos falou que é quando a gente tenta o nosso melhor, não quer dizer que tudo vai ser perfeito. Vamos ter dificuldades e tem dias que vamos fracassar ao tentar. Mas o que importa, é SEMPRE continuar tentando. Então, vamos continuar tentando. Eu estou tentando. Tem dias que é difícil, mas eu sei que um dia eu vou conseguir perdoar.
Eu sei que alguns de vocês vão ficar chocados, tristes, assustados... Mas se vocês querem demonstrar empatia ou amor por mim, faça-o atravéz de cuidar e proteger seus filhos contra isso. Vocês cuidando e protegendo-os com unhas e dentes já me faz sentir conforto de que a minha experiência e sofrimentos não foram em vão. Que pelo menos a minha história pode ajudar alguém.
Eu sei que alguns de vocês vão ficar chocados, tristes, assustados... Mas se vocês querem demonstrar empatia ou amor por mim, faça-o atravéz de cuidar e proteger seus filhos contra isso. Vocês cuidando e protegendo-os com unhas e dentes já me faz sentir conforto de que a minha experiência e sofrimentos não foram em vão. Que pelo menos a minha história pode ajudar alguém.
Nossa, obrigada por ter coragem de compartilhar isso! A gente sempre pensa que pode confiar nas pessoas, mas todo cuidado é mesmo pouco.. Obrigada mesmo! Vou ficar extra atenta! Bjs
ResponderExcluirObrigada por compartilhar. Vou compartilhar no FB
ResponderExcluirEu sei como se sente, eu passei por isso quando tinha apenas 5 anos! Com 13 anos tive coragem e contei para minha mãe, mas infelizmente a reação dela foi de negação, como se não tivesse acontecido até hoje ela nunca tocou no assunto. Hoje quando falo para alguém o que aconteceu comigo tem pessoas que se afastam e eu não as culpo pois isso é natural. Mas ajuda conversar com pessoas que passaram pelo mesmo problema, nos faz fortes!! Por muito tempo isso me deixou amargurada, apagou minha alegria e entusiasmo, mas depois de um tempo eu superei e isso me ajudou a escolher um companheiro eterno em quem eu confiasse, depois vieram meus filhos e de tanto medo que eu tinha de acontecer o mesmo com eles e os preparo e protejo da melhor forma que eu puder, converso com eles sobre o corpo deles ser sagrado e que ninguém pode tocá-los desde os 2 aninhos, não os deixo dormir na casa de amigos e familiares, somente dos avós, não deixo eles sentarem no colo de adultos ou outras crianças maiores, sempre que voltam da escolinha eu pergunto como foi e o que aconteceu, sou amiga e dou muito amor e carinho para que se sintam seguros e contem tudo, não deixo eles sozinhos estou sempre por perto, na primária largo o que estou fazendo para levá-los ao banheiro e não deixo eles irem com outras crianças ou líderes ao banheiro. Estou sempre alerta e perto deles, e sempre que tenho oportunidade alerto outros pais. Quando procurei ajuda profissional ele olhou para mim e disse:- você não foi a primeira, nem a única e nem a última! confesso que fiquei mais revoltada, mas pensei que eu não desejava isso para mais ninguém, e como você ajudo o quanto eu puder mais pessoas a não passarem por isso!! Boa Sorte e que O Pai Celestial te ajude confortando-a da melhor maneira possível!!
ResponderExcluirPaty, eu tento estar atenta a isso, mas obrigada por me lembrar do quanto preciso estar atenta que é a TODO momento é com TODAS as pessoas ao nosso redor praticamente...
ResponderExcluirEu fui bulida quando criança por primos e também como adolescente, minha mãe sempre foi muito "neurótica" e eu contei assim que aconteceu e ela pegou meus primos de jeito e falou que eles (2 irmaos) estariam marcados com ela pro resto da vida deles, eles nunca mais fizeram mas me chamavam de fofoqueira a vida toda, que eu inventava coisa... Já o meu primo que me buliu quando adolescente, passou impune mas um dia vai pagar, com a justiça do Senhor. Eu me considero bem resolvida, porém sempre gosto de lembrar pra ficar completamente atenta com familiares e amigos ao redor dos meus.
Sinto muito, querida amiga! Obrigada novamente por compartilhar!!!